22 de ago. de 2008

O peso das coisas...

A gente costuma dar valor para as coisas.
Não valor financeiro, mas "pesos".
Tem alguns objetos mais pesados em quantidade do que em valor sentimental.
A gente se desfaz de um apartamento com facilidade, mas é um problema para abandonar aquela estola de pele da bisavó.
Dia desses, achamos no meio de alguns objetos um véu de missa. Sabe véu de missa?
Aqueles que se usavam para cobrir a cabeça das senhouras casadas na missa de domingo.
Pois é, teve um tempo que domingo não era dia de chimas na Redenção, acredite se quiser.
E eu e o véu de missa, que pertenceu à uma tia-avó super austera do Fumador.
Ninguém sabe a emoção que eu senti, porque fiquei pulando e botando o véu na cabeça e me olhando no espelho.
Eu pensava: Meu Deus, 3 gerações passaram por esse véu e ele aqui, na minha mão!
A responsabilidade de carregar um objeto, que não pesa mais de 50 gramas, mas que tem meio século de vida!Era o peso do objeto- pesava uma tonelada de choros e lamentos e rezas e pedidos. Idas na igreja, quantas vezes as pessoas não queria ir na igreja e iam, por obrigação, por maldade da tia-avó ou por diversão, porque era o dia de sair de casa.
No último fim de semana, eu me acabei de dançar, bebi, voltei carregando os sapatos e o véu era um dos acessórios.
Hoje, ele está na minha cabeça, com um casaco bem colorido.Foi a revanche do véu de missa que só saía nos domingos.
Em 50 anos, ele nunca foi tão feliz.

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